InícioAraripina em FocoDe graça é caro

De graça é caro

Carlos Brickma
O candidato do PT ao
Governo paulista, Alexandre Padilha, estima os gastos de campanha em pouco mais
de R$ 30 milhões. Nada anormal: seus principais adversários não devem anunciar
um número muito diferente. Deste total, R$ 25 milhões vão para produzir o
programa do horário eleitoral gratuito.

Gratuito, cara-pálida?
Não é gratuito para ninguém:

O candidato gasta a
maior parte de sua verba de campanha para produzir a chatice; se as tevês e
rádios têm bom desconto de impostos calculando o preço pela tabela cheia (que
só existe para isso: os demais anunciantes têm grandes descontos), também
perdem audiência com o programa insuportável; ouvintes e telespectadores, se
ganham tempo para ir ao banheiro sem perder nada importante, são obrigados a
tolerar o atraso da programação normal por causa do besteirol dos
candidatos-promessinhas.

É um jogo de
perde-perde, em que a conta cai nas costas de quem trabalha e gostaria de
relaxar um pouco antes de dormir. E que conta! O Tesouro paga a TV e o rádio na
forma de perdão de impostos, e o dinheiro que deixa de entrar será compensado,
caro leitor, pelo que sai de seu bolso. O que é gasto pelos candidatos é doado
por empresas privadas (que ou vão caprichar nos preços ou buscar mais
benefícios, que a-l-g-u-é-m terá de pagar) ou entidades oficiais – o maior
doador, até agora, é um grupo privado em que um terço do capital pertence ao
BNDES, o banco de desenvolvimento ligado ao Governo.

Mais chapa branca,
impossível. Nada é de graça. O caro leitor e eleitor paga até o crachá de
otário.
Allyne Ribeirohttps://araripinaemfoco.com
Diretora de Edição e Redação de Jornalismo
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